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18 junho, 2010

Kamikazes - Mergulho para a morte

Quem eram os Kamikazes e por que, para eles, o suicídio era uma saída mais aceitável que a derrota.

Eis-me finalmente incorporado às Unidades Especiais. Os 30 dias que restam vão ser minha verdadeira vida. Chegou a hora. O treinamento para a morte me espera: um aprendizado intenso para morrer com beleza. Parto para o combate contemplando a imagem trágica da pátria. Sou um homem entre outros. Nem bom nem mau. Nem sou superior nem sou um imbecil. Sou decididamente um homem.”

A carta acima, escrita em 22 de fevereiro de 1945, é a última mensagem do piloto japonês Okabe Hirabazau para sua família. Dias depois ele morreria, aos 24 anos, em um ataque aéreo suicida às Filipinas realizado pela Marinha do Japão. Hirabazau integra um contingente de mais de 20 000 jovens, adolescentes e até meninos que se engajaram na desesperada estratégia japonesa para não perder a disputa para os Aliados. Eram os kamikazes.

A explicação para essa entrega total pode ser encontrada no passado japonês. A Segunda Guerra mexeu com os brios do Japão. Até então, a história militar do país foi repleta de vitórias. Ninguém jamais conseguiu invadir a ilha. O Japão, ao contrário, subjugou todo o Sudeste Asiático. Primeiro derrotou a China, no final do século XIX (1895), na Guerra Sino-Japonesa. Depois, incorporou parte da Coréia, em 1910. E, por fim, dominou a Mandchúria, em 1931, consolidando o império nipônico. Mesmo durante a Segunda Guerra, até certa altura do conflito o Japão só havia conhecido vitórias: muitas ilhas do Pacífico e parte da Tailândia foram anexadas.

O domínio japonês no Pacífico só estremeceu com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, em resposta a um ataque da Marinha japonesa ao porto americano de Pearl Harbor, situado na ilha de Oahu, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941. Em pouco tempo, a Marinha e o Exército do imperador Hiroito (1926-1989, era Showa) colecionaram derrotas frente ao fogo americano. Na pequena ilha de Saipan, capital das Ilhas Marianas do Norte, parte da Federação dos Estados da Micronésia (oeste da Oceania), em uma única batalha, em julho de 1944, morreram 12 000 americanos contra mais de 130 000 japoneses. Uma proporção de dez baixas orientais para cada baixa americana.

O efeito dessa desvantagem sobre o Japão dos anos 40 faz parecer até natural o nascimento de um impulso suicida entre os jovens nipônicos. Os milhares de mortos envergonhavam o país, mas a imprensa de Tóquio os exaltava e descrevia a ação dos mártires como exemplos a serem seguidos. Os rapazes, como que expiando a humilhação nacional, colocavam-se às centenas à disposição das Forças Armadas. A lealdade às tradições do país e ao imperador deu o impulso que faltava, e toda uma geração entregou-se às armas, disposta a tudo para não perder a guerra para os americanos – chamados de chikucho (algo como “besta inumana”). Por fim, o rígido código de honra militar japonês sugeria uma única saída para uma guerra que, àquela altura, estava claramente perdida: a morte. Os kamikazes (kami é “deus” e kaze é “vento”, em japonês) são a faceta mais contundente desse espírito nacional.

O criador da ação kamikaze foi o almirante da Marinha Takajiro Onishi. Em 19 de outubro de 1944, Onishi comunicou a seus pilotos que os americanos haviam desembarcado nas Filipinas. A batalha naval estava próxima, e os métodos tradicionais não seriam suficientes para deter os inimigos. Havia, porém, uma esperança. Aviões de caça do tipo Zero, armados com uma única bomba de 250 quilos, se chocariam contra navios inimigos. A ousadia e o poder destruidor do ataque seriam fatais.

Faltava apenas encontrar voluntários para o mergulho mortal. Em qualquer sociedade ocidental, seria impensável pedir a um soldado que cometesse um suicídio altruísta. Não há registro de situação similar na história das guerras no Ocidente. Missões militares sempre comportam risco de vida. Mas o que dizer de abdicar dela de antemão? No Japão da década de 40, encontrar jovens corajosos com data e hora marcadas para morrer não foi um problema. Invocou-se a ética guerreira. Quem não encarnaria de bom grado o “vento dos deuses”? Que honraria maior do que personificar o “tufão divino” contra os inimigos?

Logo de início, os ataques dos kamikazes operaram muitos estragos na armada inimiga, que não sabia como reagir a esse tipo de ação. Os números comprovam a eficácia da estratégia: 57 navios inimigos foram afundados; 108 totalmente destruídos; 83 parcialmente destruídos e 206 danificados. Os momentos de glória eram desfrutados antes e depois das missões. Toda a esquadrilha se reunia e compartilhava, com os que iam partir, uma última dose de saquê, tradicional aguardente de arroz japonesa. Nas fotografias remanescentes da época, é possível ver o sorriso sereno dos jovens a caminho da morte. Na testa, uma faixa branca com um sol vermelho.

As unidades de combate kamikaze, na verdade, retomavam o espírito dos antigos samurais, guerreiros japoneses da Idade Média. “Mas não podemos pensar que os kamikazes foram os samurais do Japão moderno”, diz o doutor em história moderna do Japão Takane Kawashima, da Universidade de Meiji, em Tóquio, que publicou um estudo, em 1994, sobre o sentimento da população japonesa durante o conflito. “Há, simplesmente, a transposição do sacrifício pelo senhor feudal para a morte pelo imperador, em nome de uma lealdade radical. O samurai realizava o haraquiri, o corte do próprio ventre, uma morte solitária. O kamikaze, ao morrer, levava o inimigo consigo.”

Embora muito se tenha falado nas razões do espírito para justificar a ação kamikaze, os milhares de pilotos suicidas jamais foram movidos pela religião. O xintoísmo e o budismo, as duas principais religiões no Japão, condenam o suicídio. O Japão da era Meiji, que começou em 1872 com a abertura do país ao resto do mundo e encerrou-se com a derrota na Segunda Guerra, era fortemente influenciado pelos valores de Confúcio, filósofo chinês que viveu entre 551 a 479 a.C. Para o confucionismo, a família é a base da sociedade. E as relações de pai e filho são fundamentais. O Estado, por sua vez, é visto como uma grande sociedade familiar em que o imperador funciona como o pai. “A moral confuciana não é favorável ao suicídio. Mas suas idéias de obediência conduzem à devoção absoluta em relação ao soberano”, afirma Eduardo Basto, historiador especialista em religião da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

O primeiro ataque kamikaze ocorreu em 25 de outubro de 1944, durante a batalha de Samos, na costa de Leyte, nas Filipinas. As unidades especiais de ataque por choque corporal, os tokkotai, eram compostas por 25 pilotos suicidas, ou tokko. Um sucesso, a princípio, as investidas kamikazes foram, com o tempo, revelando seu preço: a extinção dos pilotos de elite. Foi preciso então formar pelotões inexperientes. Os jovens japoneses foram convocados a entrar na guerra e, prontamente, atenderam ao chamado. Muitos eram universitários. Estudantes da área jurídica e literária eram prontamente aceitos. Os cientistas eram poupados, pois se considerava que eles seriam mais úteis para o futuro do país. Morrer aos 20 anos podia não fazer parte dos planos daqueles jovens, mas o dever de obediência ao imperador era mais forte.

“Até 1945, os japoneses cultivavam uma adoração extrema ao imperador, que era visto como o filho da divindade solar, uma filosofia básica do xintoísmo, a religião mais popular do Japão”, diz Eduardo Basto. “Hiroito só foi abdicar desse poder ‘divino’ em janeiro de 1946, por exigência dos americanos, depois que o Japão se rendeu, em 15 de agosto de 1945, e começou o período de ocupação americana no país, que durou até abril de 1952.”

Os japoneses ouviram em meio às lágrimas o discurso de rendição do soberano. Foi o episódio mais amargo da história do país. “Ponho um fim a esta guerra por minha própria autoridade”, anunciou Hiroito. Mas, para surpresa até dos mais céticos, em poucos meses, a paz determinaria a morte do caráter divino imperial: os ultranacionalistas se resignaram e o povo acolheu sem revoltas o pedido superior. No entanto, alguns militares da Marinha e do Exército, inconformados com a derrota, invocaram os samurais e suicidaram-se cometendo haraquiri. Entre eles estava o criador das missões kamikazes, o almirante Onishi. Estrategicamente, os Aliados conservaram o imperador no poder. Temia-se que o imperador se matasse e o mundo assistisse a um suicídio em massa. De fato, sacrificar a vida (jusshi reuisho, em japonês) pelo país era uma obrigação da família real. E uma honra, uma regra de conduta que não poderia ser evitada para os cidadãos comuns.

Quem se rebelasse envergonharia toda a família. Dinastias com séculos de história podiam cair em desgraça na sociedade.

Foi precisamente a devoção à pátria e ao imperador que levou Kiyoshi Tokudome, então um garoto de 15 anos, a se alistar na Marinha japonesa em maio de 1944. Tokudome hoje tem 71 anos. Vive há 45 no Brasil. Ele dirige a Associação Cultural Kagoshima do Brasil, que leva o nome de sua província natal, no sul do Japão. Tokudome, ao entrar para a Marinha, foi enviado para um campo de aviação em Nagasaki. Segundo ele, o aprendizado não foi fácil. Com o avanço das tropas Aliadas, o curso de oito estágios com duração de três anos acabou reduzido para quatro semestres. O cronograma ficou apertado. O dia inteiro era preenchido com treinamento militar em aulas práticas e teóricas, manuseio de equipamentos, mecânica e simulações de vôo.

“A rotina começava às seis da manhã e muitas vezes se estendia até tarde da noite.” Caso os regulamentos fossem infringidos, as punições eram severas. Era muito comum os futuros pilotos serem esbofeteados pelos superiores. E jamais reclamavam. “Nossa educação baseava-se nos princípios de disciplina, lealdade, obrigação, devoção e soberania”, afirma Kawashima, da Universidade de Meiji.

A possibilidade de se tornar um prisioneiro de guerra não era concebida entre os militares japoneses. Cair diante do inimigo era considerado uma espécie de morte muito menos honrosa que o suicídio. “A maioria dos japoneses não imaginava uma guerra sem vitória. Não haviam sido educados para ser prisioneiros”, diz Kawashima. “Caso isso viesse a acontecer, por que não abraçar o fim na forma de um suicídio altruísta, abnegado, que reverenciasse os samurais?”

Por: Fernanda Campanelli Massarotto

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10 setembro, 2009

Segunda Guerra: o legado da engenharia alemã

9g Não se pode falar da engenhosidade das máquinas de guerra nazistas sem mencionar os capacitados soldados que as operavam. Certamente, os engenheiros que conceberam as peças mortíferas sabiam que elas seriam manejadas por soldados extremamente qualificados. Atrás de cada máquina alemã havia um soldado bem treinado e doutrinado para o confronto, em qualquer lugar, a qualquer hora, sob qualquer clima. Não foi por acaso que a Segunda Guerra Mundial se arrastou durante quase seis anos na Europa. Diversas nações tiveram de somar forças para conseguir debelar um exército numericamente inferior, mas altamente treinado e equipado. Mesmo hoje, por mais que custe a destruição de um equipamento militar, não existe perda material superior à perda humana. Um soldado exige tempo para ser preparado, um investimento demorado e muito mais caro do que qualquer máquina que seja fabricada. Assim, o soldado alemão fez valer a máxima de que os aliados lutaram contra o melhor exército do mundo, o que pôde ser comprovado nos campos de batalha.

Algumas idéias hoje empregadas por exércitos de forma corriqueira foracamo-waffenss-rottenfuehrerm criadas pelos  alemães durante a Segunda Guerra. Um exemplo é o uso da camuflagem, seja nas cores e nos padrões dos uniformes, seja na pintura de aviões e de veículos militares. Os alemães foram pioneiros na arte do mimetismo em campo de batalha. Outro exemplo de engenhosidade é o capacete alemão, cujo perfil facilmente identificava o soldado nazista. Era um primor de design, tanto que acabou influenciando o capacete usado na maioria dos exércitos atuais. As abas laterais do stahlhelm (capacete de aço) eram anguladas, de forma que a água da chuva não escorresse para dentro da small-luft-m40 gola do uniforme. Já utilizado no final da Primeira Guerra, o capacete alemão foi aprimorado e fabricado em larga escala. Pelo seu forte significado simbólico, acabou como um dos souvenirs mais populares do pós-guerra, trazido para casa pelos combatentes aliados como verdadeiro “troféu de caça”.

O jipe alemão conhecido como kübelwagen (ou “carro-banheira”) foi uma genial adaptação do carro popular desenhado por Ferdinand Porsche, numa versão para uso militar, projetado em fins de 1939 e fabricado até o final da guerra. Usando um revolucionário motor refrigerado a ar, foi muito empregado durante a campanha no norte da África, assim como em todas as frentes de batalha alemãs. Pouco mais de 50 mil unidades foram produzidas, ante 700 mil do seu “rival” direto, o jipe americano.

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Armas de vingança

Capazes de criar projetos tão simples e eficientes como o capacete de aço ou os caças a jato, os engenheiros militares alemães atingiram o mais alto estágio da tecnologia com as terríveis “armas da vingança”. Pela primeira vez na história, foguetes foram usados para bombardear à distância alvos inimigos. As temíveis bombas V-1 e V-2 foram precursoras dos mísseis de cruzeiro e balísticos. Mesmo com eficácia restrita, se comparadas aos bombardeios aliados sobre a Alemanha, as bombas V-1 e V-2 fizeram mais de 25 mil vítimas civis em cidades da Inglaterra e Holanda. Capturar os cientistas alemães que projetaram esses foguetes virou questão de honra entre os aliados ocidentais e russos. Ao final, Wernher von Braun, pai do projeto V-2, foi capturado pelos americanos e, mais tarde, foi um dos responsáveis pela chegada do homem à Lua, em 1969..

Nos momentos derradeiros da Segunda Guerra, a Alemanha insistia em lutar a qualquer preço, mesmo encurralada em dois fronts, com seu parque industrial reduzido a escombros. Hitler acreditava numa milagrosa reviravolta, baseado em promessas de seus engenheiros e suas máquinas revolucionárias. Em vão.

Muito se falou sobre o programa nuclear dos nazistas. O físico Albert Einstein, já exilado nos Estados Unidos no começo da guerra, escreveu uma carta ao presidente Roosevelt, alertando para a possibilidade de os alemães fabricarem uma bomba atômica. Depois de perder brilhantes cientistas, perseguidos por serem judeus, o programa nuclear alemão ficou defasado e carente de recursos. Outro problema era a obtenção de matéria-prima radioativa, pois o programa era baseado no uso de água pesada, uma substância de complexa fabricação, que utilizava deutério em vez de urânio. O fato é que até a destruição da usina produtora de água pesada num bombardeio aliado, em 1943, o programa nuclear nazista representava uma ameaça real, caso conseguissem material radioativo suficiente para a fissão do átomo. Esse era o maior obstáculo para criar uma bomba nuclear alemã, pois conhecimento eles já tinham. Assim, a humanidade foi poupada de um desfecho diferente para a guerra. Caso os nazistas tivessem conseguido colocar uma ogiva atômica na ponta de um foguete V-2, hoje esta matéria, possivelmente, seria escrita em alemão.

Fonte: Aventuras da História

Por: João Barone

19 abril, 2009

A propaganda na Segunda Guerra Mundial

Um extrato dos princípios básicos e conceitos da propaganda alemã e americana durante a guerra.
O termo propaganda é normalmente mais utilizado do que entendido. Propaganda é definida, no dicionário, como o "material disseminado pelos que advogam uma doutrina ou uma causa". Holt Van de Velde a define como "uma tentativa de influenciar o comportamento... através do uso de mídias de massa de comunicação, a maneira na qual uma audiência de massa percebe o significado da mensagem passada no mundo material". Nada e nenhum conceito pode, contudo, avaliar o que foi a propaganda entre 1939 e 1945.
A propaganda no período da Segunda Guerra Mundial alcançou, o que pode ser considerado, o seu mais alto patamar na história até então. Enquanto ambos os lados conflitantes, aliados e o eixo, preparavam-se para a guerra, era necessário o estabelecimento de campanhas, a fim de motivar suas populações e possibilitar o aumento de produção.
A América, recém-saída da grande depressão, agarrou-se à sua política isolacionista. Muitos cidadãos, especialmente aqueles que participaram direta ou indiretamente da Primeira Guerra Mundial, tinham um conceito muito bem estabelecido de não-envolvimento em uma campanha custosa em vidas e financeiramente. A maioria da população via a guerra européia e nos confins do pacífico como muito distante e totalmente desvinculada da América. Acreditava-se que os recursos industriais seriam melhor empregados na reconstrução do país após a recente crise financeira - que ainda existia - do que em uma guerra além mar, cujas causas nada diziam respeitos a eles, os cidadãos estadunidenses. No entanto, a administração Roosevelt, já visualizava que, cedo ou tarde, os Estados Unidos se veriam envolvidos, caso não na Europa, no Leste da Ásia e nos arquipélagos do Pacífico.
Antevendo a iminência de conflito, o governo americano iniciou uma campanha em massa de propaganda, visando convencer o público que a guerra era inevitável e necessária, estimulando o alavancamento da produção e criando a crença que o totalitarismo da Alemanha e Japão estavam muito mais próximos do que se podia imaginar. Esforços foram feitos para convencer os cidadãos da ameaça imediata aos EUA oferecida pelas potências do Eixo. Entretanto, após o ataque de 7 de dezembro de 1941 à base aeronaval de Pearl Harbor, tal tipo de encorajamento não se fazia mais necessário, uma vez que o público claramente percebeu a ameaça presente pelas forças do Eixo. Depois de Pearl Harbor, a propaganda voltou-se diretamente para o estímulo à produção bem como o racionamento de bens indispensáveis para o esforço de guerra. As campanhas martelavam os cidadãos com chamadas para a conservação de materiais como gasolina, metais e outros e os convocavam a ajudar o esforço de guerra através do auxílio na produção de materiais bélicos e insumos de primeira necessidade nos fronts. Este tipo de material e discursos eram realizados em tons nacionalistas, prezando as cores patrióticas e em atmosferas tipicamente americanas (ou inglesas).
O imaginário era muito explorado. Eram muito comuns cartazes demonstrando crianças, supostamente patrióticas, sob símbolos nazistas, instando ao público à compra de bônus de guerra e contribuição no esforço para salvar as crianças e a liberdade da América do tacão totalitarista. Outro foco da propaganda aliada, especialmente inglesa, residia na divulgação que os espiões inimigos estavam em todo o lugar e "um homem está morrendo por que alguém falou demais" ou "conversa cuidadosa salva vidas". Normalmente cartazes com este tipo de foco eram produzidos em cores escuras e atmosferas sombrias conceitualizando a proximidade da guerra do cidadão comum, estabelecendo que qualquer informação, mesmo pequena, seria utilizada pelo inimigo. Em períodos críticos, foi grande também o esforço propagandístico, principalmente britânico, estimulando o recrutamento, especialmente durante 1940, quando as forças armadas britânicas careciam de efetivos devido aos desastres no continente europeu.
Ao contrário do foco propagandístico alemão, nos Estados Unidos e Commonwealth eram comuns os cartazes que estimulavam a participação feminina nas forças armadas e na produção industrial. Ao passo que a guerra avançava, exigia-se cada vez mais a incorporação dos homens que trabalhavam na indústria para a linha de frente. A partir de 1942 tornou-se cada vez mais comum sugestionar o público feminino a se voluntariar para os postos de trabalhos vagos, como uma forma de impulsionar a causa feminista. Elas eram encorajadas pela idéia de que ajudando seu país elas também estariam ajudando a si próprias, embora nenhuma garantia adicional fosse feita. O público feminino era levado a crer que ao tomar lugar nos processos industriais estariam se tornando vitais para a sociedade.
Propagandistas americanos também usavam temáticas raciais para persuadir o público ao suporte do esforço de guerra. Os filmes produzidos por Frank Capra para o exército talvez sejam uma das mais memoráveis campanhas utilizadas pelo governo na Segunda Guerra. Os sete filmes produzidos pelo autor eram chamados, coletivamente, de "Por que nós lutamos". Muitos dos filmes eram focados na desumanização do inimigo. Nos filmes de Capra e campanhas do período, os propagandistas retratavam italianos, alemães e japoneses como assassinos inumanos, sem capacidade de pensamento próprio e voltados à obediência subserviente aos seus líderes loucos. Exemplificando, em "Conheça seu inimigo - Japão", produzido por Capra e lançado durante os últimos meses da guerra no Pacífico, o autor retratava o soldado japonês como um robô comandado pelos seus líderes. Generalizações depreciantes eram feitas em relação ao povo japonês. No filme, Capra enfatiza o soldado japonês com certas características, implicando ao espectador que todos os japoneses eram a mesma coisa, sem qualquer individualidade e idéias originais. Isto era parte do processo de "desumanização" que funcionou muito bem perante o público e o soldado americano.
Na Alemanha, era necessário ao regime nacional-socialista adaptar sua propaganda para diversos fins. Detendo o poder a pouco tempo ainda, havia claras divergências entre os nacionalistas e os socialistas que montavam a base do regime nazista. A propaganda tinha caráter fundamental no intuito de unificar o povo e prepará-lo para os tempos de guerra vindouros. Primariamente, era fundamental convencer o povo alemão da necessidade da guerra, disseminando e inflamando as multidões com o orgulho germânico e justificando todos os recentes problemas sócio-econômicos a outros países e as cláusulas abusivas do tratado de Versalhes. Outra faceta da propaganda alemã era a persuasão dos cidadãos à participação efetiva no esforço de guerra e no estímulo à produção, tal qual era feito na América. Como a Alemanha, durante o período da Segunda Guerra, não possuísse o gigantesco parque industrial americano, os estímulos ao auxílio no esforço de guerra eram ainda mais prementes do que nos EUA.
A propaganda Nazista foi única na maneira em que fundia o prático com o mítico. Hitler, mais do que qualquer outro líder do século XX, implicou à nação alemã o irracional, jogando com os mitos e símbolos nacionais em suas campanhas. A propaganda Hitlerista focava-se no renovamento do orgulho nacional e no estabelecimento coletivo dos temores nacionais contra os apátridas judeus e o "demônio bolchevique". A fusão dos temas tradicionais do patriotismo germânico com os motivos ideológicos do nacional-socialismo, tornavam, em alguma campanhas, indistingüível e totalmente vinculados os dois motivos, capitalizando desta forma a possibilidade do Führer de clamar sua autoridade em definir o que é ou não "alemão". Pôsteres no formato "um povo, um Reich, um Führer" eram itens de importância capital da propaganda nazista, estabelecendo um tipo de pensamento comparável a uma "cruzada santa" do povo alemão. Este tipo de propaganda era reforçado por discursos e difusões por rádio. O próprio Goebbels (ministro da propaganda), em seus discursos, normalmente falava sobre Hitler, enaltecendo suas virtudes e o glorificando. Outro item fundamental eram os livros e revistas, mostrando Hitler sendo adorado pelo público, especialmente pela juventude alemã e os impressos que mostravam a humilde nobreza do Führer ao passear com seu cachorro ou cumprimentar a multidão em paradas e desfiles.
Além desse aspecto, os alemães trabalharam intensivamente em convencer o povo alemão da luta e da necessidade de lutar para o estabelecimento do Reich, além de provocar simpatia à causa nos territórios ocupados (especialmente nos países ocidentais, como França, Bélgica e Holanda). A propaganda de guerra alemã utilizou uma gama muito variada de veículos. A maior parte das campanhas era implementada através do recém-inventado rádio, bem como através dos discursos dos principais líderes nazistas. Pôsteres e outros materiais gráficos, como livros e panfletos, também eram largamente empregados a fim de atingir públicos específicos como membros do partido e forças combatentes, além de estimular o recrutamento, principalmente entre a junventude alemã.
A exploração alemã do anti-semitismo e do anti-bolchevismo utilizava temas de reconhecida popularidade. O judeu já havia sido estereotipado muito antes dos nazistas começarem a denegrí-los. O antigo anti-semitismo cristão estava vivo como nunca na Europa pré-guerra e o que o partido fez foi capitalizar o ressentimento dos homens urbanizados de uma civilização centrada no dinheiro, desumanizando a figura do judeu e, posteriormente, dos comunistas. Filmes como "O judeu eterno" promoviam associações depreciativas, com estereótipos antigos sobre exploração financeira, provocando ressentimento popular contra estas figuras generalizadas, que supostamente exploravam o povo alemão, e instando o ódio e desprezo. Outros tipos de programas associavam judeus e comunistas com grupos e ligas destinadas a causar prejuízos à Alemanha.
Outro meio extensivamente utilizado pela propaganda alemã durante a guerra foi o lançamento e distribuição de folhetos, contendo textos que exploravam ou estimulavam a rendição sob ameaças ou denegrindo a imagem dos líderes ou sistemas de governo utilizados pelo inimigo. Estas campanhas foram especialmente extensivas nos fronts russo e francês.
Tal como para os americanos, a produção de guerra era fundamental para os alemães. Cartazes onde se lêem, "Você está no front" advertem a população do significado da produção e do trabalho e tornaram-se muito comuns após as primeiras campanhas e fundamentais após a investida para o oriente, na Rússia, quando um grande aumento de produção realmente fez-se necessário. Outros discursos e cartazes promoviam e retratavam a união entre soldados e trabalhadores, instando os últimos a "fazer sua parte" no esforço de guerra, demonstrando cenas de batalha em uma maneira semelhante ao período romântico (era Napoleônica). Este tipo de cartaz normalmente explorava a figura masculina, musculosa, pois se imaginava que força do homem era um conceito interessante para inspirar a confiança nos tempos difíceis.
A propaganda alemã foi extremamente importante para o curso da Segunda Guerra. Tendo o controle da mídia e dos meios de rádio-difusão, o partido nacional-socialista foi capaz de, efetivamente, saturar a Alemanha com seus conceitos e ideais. Isto, combinado com o gênio do homem chamado Joseph Goebbels, criou uma das mais potentes barragens da propaganda de guerra na história.
Fonte deste artigo: Site Grandes Guerras

WW II - Zona de Guerra