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24 julho, 2009

Operação Merkur: a Invasão da Ilha de Creta

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A tomada da região era uma questão estratégica. Com Creta nas mãos de Hitler, o triângulo formado pelas bases navais inimigas da baia de Suda (Ale-xandria e Benghazi) seria desfalcado, comprometendo o poder naval britânico no Mediterrâneo. Desta feita, o General Kurt Student, reuniu seus mais experientes oficiais no Hotel Grande-Bretagne em Atenas, elabo-rando um plano de invasão da Ilha.

O projeto constituia-se na maior operação aerotransportada até então observada, na qual o Junkers Ju 52 desempenharia um papel de excelência.

De um aeroporto nos arredores de Atenas, um grande trimotor Junker 52 eleva-se lentamente. Leva consigo uma vintena de pára-quedistas alemães e leva a reboque três grandes aeroplanos sem motor, cada um com dez homens. Seguem-no outros aviões e, por toda a Grécia, numerosas esquadrilhas dirigem-se para o Sul. E a manhã do dia 20 de Maio de 1941 e começou a Operação Merkur: a Invasão da Ilha de Creta, uma operação que permanecerá única e famosa na história militar.

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Depois da conquista da Grécia por parte das tropas alemãs, o exército Inglês, deslocado da zona, tInha-se retirado para a grande Ilha que se encontra quase no meio do Mediterrâneo oriental. Na costa norte, a única planície, construíra-se três pistas de aviação, donde levantavam as esquadrilhas inglesas para bombardear os poços de petróleo de Ploesti, na Romênia. Estas Instalações eram indispensáveis para a maquina bélica Inglesa e tinham que ser defendidas a todo o custo. Além disso, em mãos alemãs, a ilha de Creta transformar-se-á numa magnífica base aérea desde a qual se poderia castigar o exército inglês na África do Norte. Era necessário, por isso, ocupar a Ilha. Naquele momento nada parecia impossível para as forças alemãs, vitoriosas em todas as frentes. Contudo, era impossível conquistar a Ilha por mar, uma vez que o Mar Egeu era dominado pela poderosa frota Inglesa. Era necessário intervir pelo ar.

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Por outro lado, os pára-quedistas alemães já tinham demonstrado suficientemente o seu valor e perfeita organização em diversas operações efetuadas no inicio da guerra. Lançados desde os aviões ou aterrando em planadores, tinham conquistado pontos-chave e fortificações consideradas totalmente inexpugnáveis por qualquer exército. Tinham-se tentado efetuar missões com forcas relativamente pequenas, uma centena de homens, para completá-las depois pelos métodos tradicionais. No entanto, agora se tratava de uma operação em uma escala muito maior, que devia ser quase totalmente realizada por via aérea.

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A tática das tropas especializadas apoiava-se, sobretudo, no elemento surpresa e, ao não disporem de armamento pesado, pelo menos no inicio teriam de suprir essa lacuna com uma grande mobilidade e velocidade. Com efeito, no momento do lançamento, o pára-quedista está praticamente desarmado. Cada homem estava equipado com uma pistola de 9 mm, algumas granadas e uma pequena faca para cortar as cordas dos pára-quedas. Os oficiais, os suboficiais e um soldado em cada quatro tinham, além disso, uma metralhadora. Era mesmo muito pouco, mas não podemos esquecer que, juntamente com eles, eram lançados contêineres com amortecedores que continham bombas, fuzis, metralhadoras leves, pequenos morteiros e rádios. Logo que chegavam em terra, os homens deviam recuperar os contêineres: só então poderiam considerar-se verdadeiramente armados e eficientes. Em Creta, as coisas não correram exatamente assim e, freqüentemente, a sua salvação dependeu unicamente das pistolas-metralhadoras MP 38.

Os pára-quedistas que se lançavam do avião levavam-na num coldre de tela colocado no cinto do pára-quedas; este arranjo deixava ao pára-quedista as mãos livres quando chegasse a terra, mas atrapalhava durante a manobra de pouso, causando, algumas vezes, fraturas nas costelas; quando se abria o páraquedas no momento (geralmente violento) do lançamento, o cinto apertava bruscamente a metralhadora contra o peito dolorosamente e, como se viu especialmente em Creta, durante a rápida descida, o pára-quedista não podia tirar a arma do coldre caso necessitasse usá-la. É verdade que um homem que está pendurado a cento e cinqüenta metros de altura não pode fazer muita coisa contra quem está atirando da terra, mas a possibilidade de responder ao fogo inimigo possibilita, pelo menos, um ligeiro alivio psicológico: muitos pára-quedistas preferiram lançar-se com as metralhadoras seguradas horizontalmente com as duas mãos, mesmo correndo o risco de ter que as soltar um pouco antes de aterrar e ter que as procurar ás pressas depois! Depois da experiência de Creta, o sistema de transporte ao peito foi totalmente abandonado. Os seis carregadores, nos seus correspondentes estojos, estavam colocados na parte da frente da cintura, ou unidos ás pernas três a três, um pouco acima das botas.

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O comando alemão tinha previsto tudo até os mínimos detalhes, apoiando-se no fator surpresa. Os ingleses, no entanto,estavam á espera de um ataque pelo ar, e tinham se preparado adequadamente. Logo que apareceram os primeiros aviões sobre o campo de aviação de Maleme, na parte oeste da Ilha, um fortíssimo fogo antiaéreo confundiu as formações de Junkers, obrigando-os a largar os planadores antes do tempo, tendo sido abatidos muitos deles; alguns planadores aterraram longe, e os que conseguiram aterrar no campo de aviação foram destruídos por um intenso fogo de morteiro, com baixas muito elevadas. Até mesmo o lançamento dos numerosos pára-quedistas foi cheio de obstáculos e bastante impreciso: grande número de homens foi morto durante a descida, e muitos outros eliminados com uma facilidade incrível depois de chegarem á terra. Isso quando não caiam direto nas mãos dos ingleses. Muitos contêineres de armamento se extraviaram.Por isso, os sobreviventes encontraram-se freqüentemente em franca inferioridade diante dos neozelandeses que guarneciam o aeroporto, armados com fuzis Lee-Enfield .303, armas de longo alcance (500-600 metros) contra as quais suas metralhadoras estavam limitadas pelo alcance de 100-150 metros.

O mesmo aconteceu com o lançamento sobre a cidade de Cannea, onde não foi possível conquistar o QG neozelandês. Muitos pára-quedistas caíram num lago artificial ou no mar e afogaram-se, outros foram parar direto num quartel inimigo! Os sobreviventes conseguiram re-agrupar e ocupar um importante nó de vias rodoviárias, mas não passaram daí. Por volta de meio-dia, os quinhentos aviões de transporte tinham regressado á suas bases na Grécia: abasteceram e transportaram a segunda leva de assalto, contra os aeroportos de Heraclion e Retimo, que não puderam, no entanto, ser conquistados, apesar das elevadas baixas que sofreram. Os alemães, isolados, eram facilmente neutralizados pelos australianos, mas quando se uniam em grupos, conseguiam apoderar-se das suas armas e estabelecer comunicação, tornavam-se imbatíveis. Nos contêineres de armamento havia fuzis Mauser K-98k com mira telescópica que, nas mãos de atiradores hábeis, eram mortais; metralhadoras ligeiras modelo MG 34, igualmente eficientes. Por fim, nos planadores havia uma metralhadora especial anticarro de pequeno calibre, capaz de perfurar qualquer blindagem, por muito resistente que fosse.

Na tarde do primeiro dia, a situação era bastante comprometida para os sobreviventes dos sete mil alemães. Não se tinha alcançado nenhum dos objetivos, mas tiveram sorte, pois o general Freyberg, comandante do ANZAC IAustralian New Zealand African Corp) não contra-atacou como devia ter feito, permitindo a reorganização dos alemães. Durante a noite, tentaram desembarcar, pelo mar, uma pequena frota de barcos de pesca cheia de tropas alpinas, mas fracassaram devido á intervenção de uma frota inglesa Que, á luz dos holofotes, bombardeou e afundou a maior parte dos barcos. As baixas não foram excessivas, pois todos tinham colete salva-vidas: perderam-se 300 vidas num total de 2.300 homens. No entanto, nenhum conseguiu desembarcar em Creta..

Com as primeiras luzes da manhã, a aviação alemã, que dominava o ar, vingou-se, ao afundar numerosos navios ingleses. Na manhã do dia seguinte, desceram sobre a Ilha novas ondas de aviões e pára-quedistas, em cima da cabeça dos australianos que, contundidos, não sabiam para onde disparar. Um batalhão completo de pára-quedistas (quase 500 homens) com o seu comandante á cabeça, desceu em Maleme e ocupou a colina desde a qual os ingleses dominavam o campo de aviação. Neste ponto, o general Student, chefe da operação aérea, tomou uma decisão decisiva para a vitória. Uma vez que o campo de Maleme, ainda Que em más condições, estava em mãos alemãs, mandou aterrar aviões de transporte carregados com uma divisão de tropas alpinas com o seu armamento pesado, veículos e munições em abundancia, deixando que os sobreviventes de Heraclion e Retimo se limitassem á sobrevivência e a comprometer ao máximo os australianos. A aterragem dos Junker no campo de batalha foi heróica, e muitos aviões caíram, embora o número de baixas fosse moderado e, em poucas horas, a cabeça de ponte começou a funcionar. Era um frenético aterrar e levantar de grandes aviões que descarregavam de tudo. Entre outras coisas, foram pela primeira vez utilizadas as motos com Side-car NSU HK101, que transportavam três homens ou uma carga de material, ou puxavam pecas de artilharia. A seguir, repeliram um contra-ataque inglês e, em poucos dias, as tropas alpinas conseguiram contatar os pára-quedistas que se encontravam em Retimo e em Heraclion, encontrando-os ainda em condições de combater.

E era o fim. No principio de Junho, toda a ilha estava nas mãos dos alemães. Uma Vitória verdadeiramente excepcional que, no entanto, examinada posteriormente, resultou terrivelmente cara. Foram utilizadas duas divisões, uma de pára-quedistas e outra alpina, num total de quase 23.000 homens. Morreram 3.200 e muitos ficaram feridos, quase todos pára-quedistas. Demasiados para a conquista de Creta! O próprio Hitler ficou tão impressionado que ordenou que os seus valentes pára-quedistas só fossem utilizados em operações especiais e onde a surpresa fosse total.

Os historiadores ingleses acreditam que esta matança do melhor das tropas alemãs, além de alguns outros elementos, contribuiu para a desistência do projeto da invasão da ilha de Malta, que deveria ter sido feita com duas divisões de pára-quedistas: uma alemã e outra Italiana, a Divisão Fulminante. Malta era muito mais importante do que Creta e estava muito mais protegida: não a ter conquistado teve, mais tarde, conseqüências importantes para a guerra no Norte da África. Em Creta, os vencedores foram os Fallschirmjaeger, mas ao mesmo tempo, foram vitimas da sua própria Vitória!

Operação Merkur (Invasão de Creta)

7° Flieger Division
LLStR (Luftlande Sturm Regiment)
13.000 paracaidistas.

5° Gebirgs Division (Cazadores de Montaña)
9.000 soldados.

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85 planeadores DFS-230

03 julho, 2009

WW II – A Batalha de Guadalcanal

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                                                                                                                                                                   A Batalha de Guadalcanal, ou Campanha de Guadalcanal, foi uma batalha terrestre e aeronaval travada de agosto de 1942 a fevereiro de 1943 entre norte-americanos, australianos e japoneses na ilha de Guadalcanal, no arquipélago das Ilhas Salomão, Oceano Pacífico, durante a II Guerra Mundial.

A batalha foi a primeira grande ofensiva realizada pelos  Aliados na Guerra do Pacífico após o ataque a Pearl Harbor e à Batalha de Midway, e se tornou significativa por marcar o ponto de virada na guerra, com a primeira vitória terrestre aliada no conflito.

Em 7 de agosto de 1942, tropas aliadas, predominantemente norte-americanas,  começaram a desembarcar nas ilhas de Guadalcanal,Tulagi e Florida, no arquipélago das Salomão, com o objetivo de impedir o uso destas ilhas como base para que os japoneses cortassem as rotas de suprimento entre os Estados Unidos, a Austrália e a Nova Zelândia. Os Aliados também pretendiam usar estas ilhas como suas próprias bases de apoio a uma campanha militar visando a isolar a grande base japonesa do sudoeste do Pacífico em Rabaul, na Nova Guiné.

Os japoneses, que haviam ocupado as ilhas em maio, foram surpreendidos pelos desembarques de soldados em grande número , que rapidamente ocuparam as ilhas de Tulagi e Florida e um aeroporto em construção em Guadalcanal, chamado pelos norte-americanos de Henderson Field. Entre agosto e novembro de 1942, o exército japonês fez todos os esforços para retomar o aeroporto das mãos dos Aliados. Estas tentativas resultaram em três grandes batalhas terrestres, cinco batalhas navais e contínuas e quase diárias batalhas nos céus das Salomão até novembro, quando o último esforço japonês para desembarcar mais tropas na ilha foi derrotado pelos Aliados.

No mês seguinte, eles abandonaram de vez novas tentativas para retomar o aeroporto e conseguiram evacuar com sucesso a maior parte de suas tropas que ainda lutava em Guadalcanal, deixando definitivamente a ilha em mãos norte-americanas a 7 de fevereiro de 1943.

A partir de Guadalcanal, a Guerra do Pacífico, até então toda de iniciativa japonesa, veria a ofensiva militar passar definitivamente às mãos dos Aliados até a rendição do Japão em 1945.

As Batalhas Pela Ilha

Os primeiros dois dias de combates foram marcados por vitórias de ambos os lados. Na manhã de 7 de agosto, a 1ª Divisão de Marines, comandada pelo major-general Alexander Vandegrift, atacou Tulagi e as pequenas ilhas vizinhas, encontrando uma forte resistência dos defensores japoneses nelas, muitos apenas trabalhadores coreanos, que tiveram que ser exterminados em quase sua totalidade, custando aos americanos 122 mortes até a ocupação total da ilha. Em Guadalcanal entretanto, a resistência aos 11.000 soldados desembarcados foi quase nenhuma, com os marines encontrando acampamentos e construções abandonadas às pressas pelos japoneses ainda cheios de comida,munição e material de construção.

Porém, enquanto estes desembarques aconteciam, a força tarefa aliada, composta de porta-aviões e navios de batalha de superficie, foi atacada diversas vezes por dezenas de aviões japoneses vindos da base inimiga de Rabaul, que causaram a perda de dois navios e de dezenove aeronaves dos aliados nos combates. Após estes ataques, o Almirante Frank Fletcher, comandante-chefe da força tarefa de porta-aviões, resolveu retirar seus navios da área com medo de novos ataques inimigos que afundassem seus porta-aviões, forçando o Almirante Richmond Turner, comandante da frota de navios de batalha e de desembarque anfíbio, a também se retirar da região, temendo a falta de cobertura aérea em que ficaria sem a presença dos porta-aviões.

Durante a noite, as tripulações dos navios de Turner faziam o possível para desembarcar nas ilhas o máximo de material para os soldados ali instalados, até que um ataque de surpresa de uma frota japonesa composta de sete cruzadores, afundou quatro cruzadores americanos e australianos, danificando seriamente outras embarcações. Sem saber que o almirante Fletcher havia partido com seus porta-aviões e temendo um ataque aéreo à sua frota ao amanhecer, o comandante japonês, Vice-Almirante Gunichi Mikawa, bateu em retirada após esta vitória naval sem atacar os agora desprotegidos barcos de desembarque aliados nas praias e os soldados em terra. Por outro lado, também por causa da derrota, o Almirante Turner retirou no dia seguinte sua frota de superficie de Guadalcanal sem terminar o desembarque de homens, suprimentos e munição previstos, deixando os soldados do general Vandegrift em terra entregues a si próprios

Nos dias seguintes, as tropas desembarcadas, com rações de comida e munição contadas e racionadas e com boa parte dos soldados sofrendo quase imediatamente de disenteria, estabeleceram um perímetro de defesa em torno da praias e do aeroporto em construção – batizado por eles de Henderson Field em homenagem a um aviador dos marines morto na Batalha de Midway – e trabalharam para completar as obras, que permitiriam dias depois o pouso de algumas aeronaves trazidas por porta-aviões. Durante este primeiro período na ilha, alguns pequenos combates se desenrolaram entre os marines e soldados japoneses instalados há alguma distância da cabeça de praia aliada, incluindo alguns que foram desembarcados em outras partes da ilha por navios japoneses.

Batalhas no ar e no mar

Em resposta ao desembarque aliado, o quartel general das forças japonesas em Tóquio determinou que o 17º Exército japonês baseado em Rabaul, sob o comando do tenente-general Harukichi Hyakutake, retomasse as ilhas. Em principio, apenas algumas das unidades deste exército estavam disponíveis para a missão, pois o grosso das forças japonesas continuava em seu ataque em direção a Port Moresby, a outra grande cidade da Nova Guiné. Subestimando as forças aliadas em Guadalcanal, estas tropas desembarcaram em outros pontos da ilha em 21 de agosto, dali promovendo um ataque noturno frontal contra as posições americanas, sofrendo enormes perdas.

Mais tropas japonesas, vindas das Filipinas, de Truk e do Japão, foram desembarcadas nas ilhas, sob a cobertura de uma grande esquadra comandada por três porta-aviões e dezenas de navios de batalha. Esta força chocou-se com a força tarefa do Almirante Fletcher, de volta a Guadalcanal com ordens de deter o ataque pela reconquista da ilha, na que ficou conhecida como Batalha das Salomão Orientais, cujo saldo foi a retirada de ambas as frotas após diversos danos, com um porta-aviões japonês afundado.

Nas semanas seguintes, os Aliados conseguiram aos poucos ir aumentando o número de aviões em Guadalcanal, e em setembro já contavam com 63 aeronaves de combate em Henderson Field. Quase diariamente, estes aviões eram obrigados a lutar contra as esquadrilhas japonesas de caças-bombardeiros que atacavam Guadalcanal vindas de Rabaul, a 1800 km de distância. A viagem de oito horas desde a Nova Guiné incorria numa crescente desvantagem para os pilotos japoneses, que já entravam em combate sobre o campo de batalha bastante desgastados, além de seus movimentos serem vigiados e seguidos por uma rede de radioamadores australianos, que os acompanhavam desde as matas da Nova Guiné e através das ilhas do sudoeste do Pacífico, transmitindo seus movimentos para os aviadores de Guadalcanal, que já os esperavam preparados; aos poucos, os japoneses começaram a perder a guerra aérea pela ilha.

As primeiras semanas de batalha assistiram ao que seria chamado pelos norte-americanos e historiadores de guerra de Tokyo Express (O Expresso de Tóquio). Receosos de enviar tropas a Guadalcanal através dos lentos transportes anfíbios e expô-los ao ataque dos aviões aliados, os japoneses optaram por transportar esses homens em destróieres, muito mais rápidos, e nas horas da madrugada pelos mares das Ilhas Salomão. Durante noites a fio pelos meses seguintes, os pequenos e rápidos navios japoneses desembarcaram pequenas quantidades de reforços em diversos locais da ilha. Este meio, apesar de eficiente, impedia os soldados de carregarem consigo armamento mais pesado,artilharia e blindados, e grandes estoques de munição e comida, além de só poderem ser feitos à noite, para escapar dos ataques diurnos dos aviões baseados em Henderson Fied.

Combates se sucederam na ilha em setembro e outubro, sem que os reforços japoneses conseguissem quebrar as linhas de defesa aliadas, também reforçadas por carregamentos de homens e armas trazidas pela Marinha, que custou aos aliados o afundamento do porta-aviões USS Wasp por um submarino japonês a sudeste de Guadalcanal, deixando os norte-americanos temporariamente apenas com o porta-aviões USS Hornet no sudoeste do Pacífico.

As tentativas infrutíferas das tropas japonesas em retomar Guadalcanal forçaram o quartel-general em Tóquio a dedicar atenção exclusiva à batalha pela ilha, interrompendo sua ofensiva na Nova Guiné e desviando reforços em homens e equipamento para as Ilhas Salomão. Pelo lado aliado, contra ataques levados a cabo pelos marines no interior da ilha eram rechaçados pelas tropas japonesas.

No mar, navios escoltando transportes de tropas de ambos os lados engajaram-se num combate na noite de 11 de outubro, a Batalha do Cabo Esperança, com perda em navios e vidas que terminou com a retirada dos japoneses após conseguirem desembarcar mais homens em terra.

Momentos decisivos

Em 23 e 24 de outubro, uma grande ofensiva contra Henderson Field foi lançada pelo comando japonês, que atravessou quilômetros de selva desde o outro lado da ilha e durante três dias os soldados dos dois lados se enfrentaram na área em volta do aeroporto com pesadas baixas japonesas, forçados a se retirar após perderem mais de dois mil homens nos combates; os poucos que conseguiram penetrar no perímetro defendido pelos marines foram caçados e mortos nos dias seguintes.

Apesar de quase destruído por pesado bombardeio naval de cruzadores japoneses na semana anterior, o aeroporto continuava em mãos aliadas. Os japoneses, com pesadas baixas, abatidos pela malária e doenças da selva tropical e sem suprimentos de comida e munição, passariam à defensiva pelo resto da campanha.

Ao mesmo tempo em que as tropas do general Hyakutake atacavam o perímetro de Henderson Field, no mar os navios inimigos se enfrentavam na Batalha de Santa Cruz. Uma grande frota nipônica de porta-aviões e cruzadores, sob ordens diretas do Almirante Isoroku Yamamoto, comandante em chefe da Marinha Imperial Japonesa, entrava nos mares das Salomão. Seu objetivo era encontrar e destruir a frota norte-americana, impedindo-as de atuar contra os ataques das tropas em terra na ofensiva contra o aeroporto e as linhas de defesa norte-americanas em Guadalcanal. A força tarefa aliada, agora sob comando do Almirante William ‘Bull’ Halsey, também esperava encontrar a marinha japonesa em combate.

As duas forças tarefas de porta-aviões se confrontaram na manhã de 26 de outubro de 1942. Após uma troca de ataques aéreos de ambas as frotas, os Aliados foram forçados a se retirar com a perda de um porta-aviões e diversos navios de batalha, seguidos pelos japoneses, com dois porta-aviões avariados e uma esquadra aérea quase dizimada, que faria grande diferença no restante da guerra pela perda quase completa de tripulações altamente treinadas. A subseqüente Batalha Naval de Guadalcanal, com a vitória aliada e o afundamento de mais da metade dos comboios de tropas e suprimentos japoneses enviados para a ilha, selaria o resultado final da batalha em terra.

De novembro a janeiro de 1943, as forças americanas lentamente avançaram por Guadalcanal, derrotando os japoneses e fazendo-os recuar, agora em condições precárias, graças à falta de uma linha constante de suprimentos tremendamente afetada pelas derrotas sofridas no mar. Tropas frescas, desembarcadas pelos norte-americanos em substituição às veteranas e cansadas guarnições em combate desde agosto, empurraram cada vez mais os restantes japoneses à bolsões de resistência na ilha. Em 8 de fevereiro, o último comboio do Expresso de Tóquio retirou de Guadalcanal os remanescentes, famintos, feridos e doentes. No dia seguinte, após quase seis meses de combates, o comando aliado declarou a ilha de Guadalcanal livre de inimigos, com a mensagem do general em comando Alexander Patch a seus superiores: “ O Expresso de Tóquio não tem mais estação terminal em Guadalcanal”.

17 abril, 2009

WW II - Tarawa : Parte I - 76 Horas no Inferno




A Batalha de Tarawa aconteceu durante a Guerra do Pacífico, na Segunda Guerra Mundial, entre 20 e 23 de novembro de 1943. Foi a segunda grande ação ofensiva terrestre dos Estados Unidos na guerra – após a Batalha de Guadalcanal e a subsequente retomada das Ilhas Salomão - e a primeira na região central do teatro do Pacífico.Como todas as batalhas travadas entre Japoneses e Norte-Americanos, enfrentaram grande resistência japonesa. Os 4500 japoneses entrincheirados no atol, bem armados e preparados, lutaram praticamente até o último homem, causando mais de 3100 baixas aos americanos, o maior proporcionalmente ao total de soldados envolvidos, de toda a guerra.

Tarawa

De maneira a conseguir bases em terra para apoio aéreo das operações aliadas no Pacífico central, nas Filipinas e contra o próprio território japonês, após as vitórias em Guadalcanal e nas Ilhas Salomão, os Estados Unidos precisavam recuperar as Ilhas Marianas, ocupadas pelo exército japonês desde antes da guerra. Estas ilhas estavam fortemente defendidas e para que os ataques contra elas fossem bem sucedidos, seria necessário um apoio preparatório de bombardeios aéreos para diminuir a resistência e o poder de fogo local antes da ofensiva terrestre.
A terra mais próxima das Marianas, de onde poderiam partir estes aviões, eram as Ilhas Marshall, a nordeste de Guadalcanal. Caso este arquipélago fosse conquistado, seria mais fácil um assalto frontal às Marianas, mas as comunicações entre as Marshall e o Havaí estavam sendo cortadas e monitoradas pela guarnição japonesa instalada na pequena ilha de Betio, no lado oeste do atol de Tarawa, nas Ilhas Gilbert. Assim, para que a invasão das Marianas fosse possível, a ofensiva Aliada teria que começar mais a leste, em Tarawa.
Os japoneses tinham bastante consciência de importância estratégica das Gilbert na guerra e tinham gastado bastante tempo e esforços na fortificação das ilhas. Tarawa estava ocupada por uma tropa de mais de 4000 soldados da elite do corpo de fuzileiros navais japonês, tanques, canhões anti-aéreos, sapadores e engenheiros do exército. Trincheiras ligavam todos os pontos da ilha, permitindo a movimentação de soldados rapidamente para qualquer ponto de defesa ameaçado e o comandante da guarnição, contra-almirante Keiji Shibazaki, proclamava que seriam necessários “um milhão de homens e cem anos para que Tarawa fosse conquistada”.

A invasão

A força de invasão norte-americana era a maior, até aquele momento da guerra, a ser posta em operação contra um único objetivo. Faziam parte dela 17 porta-aviões, 12 encouraçados, 12 cruzadores, 66 destróieres e 36 navios de transporte, que carregavam cerca de 35.000 soldados da 2ª Divisão dos Marines e da 27ª Divisão de Infantaria do Exército.As forças navais abriram fogo sobre Tarawa em 20 de novembro de 1943, despejando projéteis de alto calibre sobre a ilha por cerca de uma hora e meia, causando a destruição da maioria dos canhões japoneses de defesa do atol. Com uma largura de apenas algumas centenas de metros em alguns pontos, a ilha foi transformada numa paisagem lunar, antes mesmo que qualquer soldado americano pisasse nela. No começo da invasão terrestre, imaginava-se que após o bombardeio não haveria mais ninguém vivo em terra em condições de defendê-la. Nos próximos três dias mais de mil americanos mortos comprovariam o engano.

Baixas


Ao fim dos combates em Tarawa, apenas 1 oficial, 16 soldados e 129 trabalhadores escravos coreanos se renderam aos americanos, de um total de mais de 4500 soldados que defendiam a ilha no início da invasão, todos mortos num combate até o último homem.
Entre as tropas americanas, 1001 mortos e 2296 feridos apenas entre os marines, atestam a violência dos combates e a resistência desesperada dos defensores. As forças dos Estados Unidos eram sete vezes maiores e mesmo assim os japoneses foram capazes de infligir um alto grau de perda em vidas entre os invasores, o que não esperado pelos comandantes da ação.
As perdas em Tarawa causaram grande reação entre a opinião pública americana, que não entendia como tantos soldados morreram apenas para conseguir conquistar uma pequena ilha no meio do nada no Oceano Pacífico, o que mostrava as dificuldades que os Aliados teriam pela frente em sua missão de derrotar o Japão.
As grandes perdas, causadas por uma resistência desesperada e pela dificuldade de coordenação das operações anfíbias combinadas na ilha, serviriam de grande lição e experiência aos americanos, que delas se utilizariam mais tarde, no desembarque em outros atóis do Pacífico e principalmente dois anos depois, nos planejamentos para a Batalha de Iwo Jima.

WW II - Tarawa :Parte II - Fotos

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Pilotos felizes cum suas vitórias durante o ataque Ilhas Marshall, sorriso na cauda de um F6F Hellcat a bordo do USS Lexington, após o abate 17 dos 20 aviões japonês ma ilha de Tarawa. "Comdr. Edward Steichen, Novembro de 1943.

Fuzileitos da 1st. Marine Divisão usa um lança chamas para limpar um caminho através do que foi outrora uma espessa selva em Tarawa - Novembro 1943.

 
Vista da praia de Ilha Betio, Tarawa , Ilhas Gilbert, após os E.U. invadirem, em Novembro de 43. Nota: os homens sentados no tamque M-4 Sherman na praia de Tarawa, atestando a ferocidade da luta por um trecho de areia. Nov 1943.

WW II - Zona de Guerra